Ganho no mês foi registrado apesar da redução nos embarques dos três principais produtos da pauta catarinense; tarifaço dos EUA afeta setores de forma desigual

Florianópolis, 07.10.2026 – As vendas externas de Santa Catarina somaram US$ 1,08 bilhão em setembro, valor 2,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. A variação representa uma desaceleração no ritmo de crescimento registrado ao longo de 2026. Entre janeiro e setembro, as exportações somaram US$ 9,5 bilhões, o que representa uma alta de 5,5% sobre o registrado no mesmo período do ano passado.

Em setembro, os três principais produtos da pauta catarinense de exportações tiveram recuo nos embarques: as vendas de carne de aves caíram 12,4%, as de carnes suínas recuaram 15,6% e as de soja foram 17,4% menores.

Entre os produtos de maior valor agregado, as exportações de motores, geradores e suas partes contribuíram para o resultado positivo de setembro. As vendas de motores e geradores elétricos somaram US$ 58,7 milhões, 15,3% acima do registrado em setembro de 2025, e as de partes de motores alcançaram US$ 38,1 milhões (+54,9%) 

Efeitos do Tarifaço dos EUA

Em vigor desde abril de 2025, com idas e vindas, as tarifas adicionais impostas pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros seguem afetando segmentos importantes da indústria catarinense.

“Os números confirmam um maior impacto sobre a cadeia de madeira, enquanto os equipamentos elétricos ainda conseguem sustentar parte da presença catarinense no mercado norte-americano”, afirma o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Gilberto Seleme.

Os embarques de produtos de madeira de SC para os EUA somaram US$ 28,7 milhões em setembro, o que indica alta de 40,7% sobre o mesmo mês do ano passado, mas representa menos da metade dos US$ 61,2 milhões em vendas registrados em setembro de 2024, antes das tarifas.

Outro grupo importante na relação comercial do estado com os EUA, o de motores e equipamentos elétricos, teve dinâmicas distintas entre seus segmentos, na comparação entre setembro de 2026 e setembro de 2024. Enquanto as vendas de motores e geradores elétricos cresceram 28,4%, para US$ 20,6 milhões, as de partes de motores caíram 45,5%, para US$ 12 milhões.

No total, as exportações catarinenses aos Estados Unidos somaram US$ 105 milhões em setembro, 39,9% abaixo do obtido no mesmo mês de 2024 (antes do tarifaço).

Importações crescem, impulsionadas por metais

Santa Catarina registrou US$ 3,15 bilhões em importações em setembro de 2026, crescimento de 6,99% em relação ao mesmo mês de 2025, quando as compras externas totalizaram US$ 2,94 bilhões.

O principal vetor do crescimento em setembro foi a metalurgia. Nos metais não ferrosos, as importações avançaram 42,5%, de US$ 169,4 milhões para US$ 241,4 milhões. O cobre refinado passou de US$ 88,6 milhões para US$ 121,7 milhões (+37,4%) e o alumínio em formas brutas cresceu 45,4% em valor, de US$ 26,2 milhões para US$ 38,1 milhões.

Por origem, a China ampliou sua participação nas importações catarinenses no acumulado de janeiro a setembro, de 42,3% para 42,7%, com crescimento de US$ 1,13 bilhão (+10,5%), puxado por pneus, autopeças, guindastes, aquecedores elétricos, motocicletas e fios sintéticos.

Em sentido oposto, as compras de produtos norte-americanos recuaram 9,2%, para US$ 1,44 bilhão.

“Considerando também a queda das exportações, vemos que o comércio de Santa Catarina com os Estados Unidos encolheu nos dois sentidos”, resume Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

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