Marco histórico, assinado na FIESC, conecta agronegócio, indústria e infraestrutura de gás

Florianópolis, 15.07.2026 – Os dejetos da suinocultura, por décadas tratados como passivo ambiental, passam a integrar uma nova cadeia de valor em Santa Catarina. Com a assinatura do primeiro contrato de fornecimento de biometano do Estado, resíduos da produção animal passam a ser transformados em combustível renovável para abastecer a indústria, inaugurando um mercado que une agronegócio, energia e descarbonização.

O projeto conecta quatro elos da cadeia: a H2A produz o biometano em Campos Novos a partir dos dejetos da suinocultura; a SCGÁS distribui o combustível por sua rede de gás canalizado; a Vossko do Brasil, em Lages, torna-se a primeira indústria a utilizar o energético; e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) estabelece o marco regulatório que viabilizou a operação.

A iniciativa inédita é resultado de uma articulação construída nos últimos anos entre empresas, setor produtivo, universidades e poder público, tendo como um dos articuladores o Hub de Descarbonização da FIESC, criado em 2023 para acelerar a transição da indústria catarinense para uma economia de baixo carbono.

"O que buscamos foi viabilizar a economia circular por meio da tecnologia. Santa Catarina possui enorme potencial para transformar resíduos em energia e criar uma nova cadeia produtiva baseada na descarbonização", afirmou o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC, José Lourival Magri.

Segundo Magri, Santa Catarina possui potencial para ampliar significativamente a produção de biogás e biometano. Estima-se uma capacidade de dobrar a atual produção de 2 milhões de metros cúbicos de biogás por dia, recurso ainda subaprovechado. Para apoiar essa transformação, o SENAI estruturou uma frente tecnológica voltada ao setor, o Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental, em Blumenau, que oferece análises e controle de qualidade do biometano.

Nova etapa da matriz energética

Para o presidente da SCGÁS, Otmar Josef Müller, a assinatura do contrato marca o início de uma nova fase da matriz energética catarinense.

"Estamos iniciando um novo ciclo da economia circular. Aquilo que antes era um passivo ambiental passa a gerar energia limpa, fertilizantes e desenvolvimento. Este é o primeiro passo de uma longa jornada."

A companhia prevê investir R$ 600 milhões nos próximos cinco anos para ampliar sua infraestrutura e conectar novos produtores de biometano à rede de distribuição.

Regulação destrava o mercado

Embora a tecnologia já estivesse disponível, a criação do mercado dependia de um ambiente regulatório capaz de oferecer segurança aos investimentos.

Segundo o presidente da Aresc, João Carlos Grando, esse processo começou em 2021 e culminou na aprovação da Resolução nº 250, que regulamentou a injeção de biometano na rede da SCGÁS.

"Santa Catarina possui potencial para produzir mais de 4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia, volume suficiente para abastecer toda a indústria catarinense e ainda gerar excedentes. O desafio era criar segurança jurídica para transformar esse potencial em realidade."

Além da regulamentação, a Aresc trabalha na atualização da legislação estadual, com propostas que incluem incentivos fiscais, linhas de financiamento e políticas públicas para estimular a expansão da produção de biometano.

Economia circular ganha escala

Responsável pela produção do combustível renovável, a H2A avalia que a conexão com a infraestrutura da SCGÁS permitirá ampliar o mercado de biometano em Santa Catarina.

"Ninguém faz isso sozinho. A produção de biometano depende da integração entre produtores rurais, cooperativas, indústria, distribuidora, órgãos reguladores e instituições de pesquisa. A abertura da rede cria um novo mercado para Santa Catarina", afirmou o diretor Adilson Teixeira Lima.

A primeira consumidora do biometano será a Vossko, indústria instalada em Lages há 24 anos e voltada ao mercado internacional. Cerca de 95% da produção da empresa é exportada, sendo 75% destinada à União Europeia, mercado que adota critérios cada vez mais rigorosos em relação à sustentabilidade.

Para o CEO da Vossko do Brasil, Joachim Gerecht, a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial e tornou-se uma exigência dos mercados que atendemos. “Participar deste projeto reforça nosso compromisso com uma produção de menor impacto ambiental."

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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