Florianópolis, 21.10.26 - A economia de Santa Catarina ficou estável em agosto de 2026 na comparação com julho segundo o IBC-R, Índice de Atividade Econômica Regional, divulgado pelo Banco Central. O indicador, que é considerado uma prévia do PIB, foi impactado pelo desempenho negativo da indústria, que teve recuo de 1,5% no mesmo período.
Apesar da estagnação no mês, o estado acumula um crescimento de 1,8% em agosto, na comparação com igual período do ano anterior, acima da média brasileira, de 1,2%. O presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC) Gilberto Seleme, explica que o cenário econômico atual ainda impõe desafios para quem produz e para quem consome.
"Os juros elevados e o alto endividamento das famílias e empresas limitam a demanda e dificultam a expansão. A sustentação do crescimento nos próximos meses dependerá da recuperação da demanda interna e de uma melhora das condições de financiamento", afirmou Seleme.
A análise da FIESC sinaliza que o desempenho econômico do estado reflete diferentes comportamentos dos grandes setores da economia. As vendas no comércio, por exemplo, cresceram 1,8% no oitavo mês de 2026 na comparação com agosto do ano passado. Por outro lado, a indústria teve uma queda de 0,7% na mesma base de comparação. O setor de serviços também teve um pequeno recuo, de 0,2%.
Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, essa diferença entre os setores exige atenção.
"A estabilidade mensal e a retração na indústria mostram que a expansão permanece desigual no estado. No setor de serviços, por exemplo, o crescimento acumulado de 8,3% dos serviços prestados para empresas esconde uma queda de 4,4% naqueles voltados para as famílias, o que mostra que não há um fortalecimento generalizado do consumo da população".
A retração industrial catarinense atingiu sete das 14 atividades pesquisadas em agosto frente ao mesmo período do ano passado, com quedas de 13,9% em produtos de metal, 12,8% em confecções e 11,1% em móveis. Bittencourt explica que entre os fatores para esse cenário estão o acesso a crédito mais caro para investimentos e também para o consumo das famílias, restringindo a demanda e a produção das empresas. Já nos segmentos exportadores, as barreiras tarifárias dos Estados Unidos somam-se a um ambiente já marcado por condições financeiras restritivas. Outro setor relevante para SC, o de vestuário, tem sofrido a concorrência de produtos importados e das plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
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