Estudo da Federação catarinense aponta que efeitos da segunda onda de alíquotas elevadas serão similares aos do primeiro movimento tarifário; Estado já deixou de gerar 7,6 mil novas vagas como reflexo das tarifas

Florianópolis, 14.07.2026 - A entrada em vigor do segundo tarifaço norte-americano, prevista para 15 de julho de 2026, mantém o setor produtivo de Santa Catarina sob alerta. Estudo da Federação das Indústrias de SC (FIESC) aponta que o novo regime aduaneiro imposto pelos Estados Unidos desenha um cenário desafiador para o estado, com estimativas de impacto relevante sobre as indústrias exportadoras.

"O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado", afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme.

Efeitos do tarifaço são distintos entre regiões de SC, mostra estudo da FIESC

Como ficam as tarifas?

A nova estrutura tarifária imposta pelo governo dos Estados Unidos altera as alíquotas para uma tarifa nominal máxima que passará de 50% (no primeiro tarifaço) para 37,5% no regime proposto para julho de 2026.

No entanto, o estudo da FIESC demonstra que a tarifa efetiva - que reflete o impacto competitivo que a indústria de fato suporta no mercado de destino e também a pauta de exportações de SC - passará de 47,8% no estado no primeiro Tarifaço, para 35,9%. 

“Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.

 

 

Exportações para os EUA

Os efeitos práticos das restrições tarifárias já haviam ficado evidentes durante a vigência do primeiro tarifaço (entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026). Nesse intervalo, as exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos recuaram 38,29%, encolhendo de uma média mensal de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões.

Após a Suprema Corte dos EUA invalidar as tarifas em fevereiro, houve uma gradual recuperação das vendas ao mercado norte-americano, impulsionada pela substituição temporária por uma tarifa global menor de 10%. Contudo, a iminente implantação do novo pacote de sobretaxas adicionais de 25% (sob a Seção 301) ameaça a retomada e deve consolidar a retração das exportações para os Estados Unidos em cerca de 40%.

Impacto na Competitividade

A análise da Federação destaca que 518 produtos catarinenses exportados aos EUA perderão competitividade do 1º para o 2º tarifaço, enquanto 608 terão ganho de competitividade ao comparar os dois períodos.

“O que nos preocupa é que, a despeito disto, há perda de oportunidades para as indústrias de SC, já que as tarifas efetivas dos concorrentes de outros países enfrentarão alíquotas mais baixas que as brasileiras”, salienta Bittencourt. 

O complexo de madeira ilustra bem este cenário: enquanto a madeira perfilada ganha fôlego com melhora de 6,2 pontos percentuais em relação aos competidores considerando o primeiro tarifaço, portas e molduras de madeira perderão ainda mais espaço, registrando retração de 2,2 p.p. em sua margem competitiva.

Desvantagem de SC é Maior

Para a FIESC, o impacto das novas alíquotas norte-americanas penaliza o estado de Santa Catarina com intensidade maior do que a média registrada pelo restante do país. A assimetria reflete a alta concentração de produtos manufaturados na pauta catarinense, que possuem alta exposição às novas sobretaxas. Enquanto a parcela das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas recua de cerca de 33% para 25%, em Santa Catarina ela se mantém praticamente estagnada em elevadíssimos 56%. Esta disparidade evidencia que a perda de competitividade estadual frente ao mercado global será muito mais profunda e exigirá resiliência extrema dos nossos setores industriais.

Confira no vídeo a análise completa do economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.
 


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

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