Florianópolis, 17.07.2026 – A diversificação das economias do Norte da África, a redução de barreiras comerciais e a busca por novos parceiros industriais abrem oportunidades para a indústria catarinense ampliar sua presença internacional. Embora a corrente de comércio entre Brasil, Argélia, Egito e Marrocos já ultrapasse US$ 8 bilhões por ano, as relações ainda são concentradas em commodities e insumos, indicando espaço para ampliar as exportações de produtos industrializados, máquinas, equipamentos e tecnologias.
"O Norte da África reúne mercados que estão investindo em industrialização, infraestrutura e segurança alimentar, ao mesmo tempo em que buscam novos fornecedores e parceiros tecnológicos. É uma região que ainda pode ser muito mais explorada pela indústria catarinense. A FIESC atua como articuladora dessas oportunidades, aproximando empresas de governos, instituições e parceiros para fortalecer a internacionalização da nossa indústria", afirma a presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante.
A Argélia responde por uma das maiores correntes de comércio do Brasil no continente africano. Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 2,3 bilhões, principalmente açúcar, milho, carne bovina, soja e minério de ferro, enquanto importou aproximadamente US$ 1,3 bilhão em petróleo, derivados, fertilizantes e produtos químicos. Com investimentos na industrialização e na produção local, o país cria oportunidades para fornecedores de máquinas, motores, equipamentos elétricos, automação e outras tecnologias industriais. A catarinense WEG já atua nesse movimento desde 2022, com uma parceria para fabricação de motores, e busca ampliar sua presença no mercado argelino.
Para o ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Argélia, Bruno Luiz dos Santos Cobuccio, a estratégia do governo é fortalecer a indústria nacional a partir de parcerias internacionais. "É um processo que está apenas começando. Empresas brasileiras já começam a olhar para esse mercado, e a experiência da WEG demonstra o potencial para ampliar a presença da indústria nacional", afirma.
No Egito, o potencial de crescimento é impulsionado pelo Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Egito, em vigor desde 2017. Desde então, a corrente comercial aumentou cerca de 25%, com crescimento de 32% nas exportações brasileiras e de 15% nas importações. O Brasil exporta carnes, açúcar, milho, minério de ferro e café, enquanto importa fertilizantes, produtos químicos, frutas e têxteis. Com a eliminação gradual das tarifas, a expectativa é ampliar a participação de produtos industrializados brasileiros no mercado egípcio.
O Marrocos também apresenta potencial para ampliar os negócios com o Brasil. A corrente comercial entre os países soma aproximadamente US$ 2,8 bilhões, com exportações brasileiras concentradas em açúcar, milho e bovinos vivos. Em contrapartida, o Brasil importa principalmente fertilizantes e derivados minerais. Santa Catarina ocupa a 11ª posição entre os estados que mais exportam para o Marrocos e a 8ª entre os que mais importam, indicando espaço para ampliar a presença da indústria catarinense com máquinas, equipamentos e soluções de maior valor agregado.
Porto de Las Palmas
Além das oportunidades comerciais, a logística pode ser um diferencial para a inserção das empresas brasileiras na região. O Porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias (Espanha), é apresentado como um hub estratégico para acesso ao Norte da África. A infraestrutura alia a segurança jurídica da União Europeia, além de uma localização privilegiada entre Europa e África, reduz o tempo de trânsito das cargas e amplia a competitividade das exportações brasileiras.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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