Florianópolis, 30.10.2026 – Ampliar a participação da indústria catarinense nos projetos estratégicos e nas demandas de manutenção da Marinha do Brasil foi o tema central da reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa) da FIESC, realizada nesta terça-feira (27). O encontro contou com a presença do comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, e discutiu oportunidades de fornecimento de componentes, desenvolvimento de tecnologias e prestação de serviços especializados.
“Santa Catarina se destaca pela capacidade potencial e efetiva da sua indústria em atender às demandas dos projetos estratégicos e de manutenção da Força”, afirmou o comandante. Segundo o Almirante Olsen, a autonomia tecnológica é essencial para o exercício da soberania nacional, e a participação da indústria brasileira contribui para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
O presidente do Condefesa, Cesar Olsen, destacou a importância de aproximar as necessidades das Forças Armadas das competências das empresas. “A indústria tem condições de contribuir para o desenvolvimento de soluções estratégicas para a defesa nacional. Precisamos ampliar o diálogo com as Forças Armadas, identificar oportunidades e criar caminhos para que mais empresas brasileiras participem desses projetos”, afirmou.
Ainda foram apresentados alguns dos Projetos do Condefesa, entre eles o Desenvolvimento do Polo Industrial de Defesa e Segurança de Itajaí (PBIDS-Itajaí) está em fase avançada de articulação para se consolidar como referência nacional no setor. Ainda foi apresentado o Programa de Estímulo a Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacionais, iniciativa consolidada da FAPESC, que foi a primeira Fundação de Amparo à Pesquisa do Brasil a criar um programa focado em projetos e pesquisas para a área de defesa. O objetivo principal é o fomento à dualidade tecnológica, incentivando que empresas e pesquisadores apliquem soluções inovadoras que já possuem no mercado civil para atender também às demandas estratégicas de segurança e das Forças Armadas
Oportunidades para a indústria
As demandas da Marinha abrangem diferentes segmentos industriais, com oportunidades em áreas como cibersegurança, inteligência artificial, sistemas autônomos, energia, telecomunicações e monitoramento marítimo. Além do fornecimento de equipamentos, há espaço para serviços especializados e para o desenvolvimento de tecnologias que atendam às necessidades da Força.
Em Santa Catarina, a construção das fragatas da Classe Tamandaré, em Itajaí, é um exemplo de projeto que pode ampliar a inserção de empresas locais na cadeia de fornecedores da defesa. Essa participação exige o atendimento a requisitos técnicos e aos processos de qualificação do setor.
Outra possibilidade é a cooperação entre empresas e instituições de ciência e tecnologia da Marinha para desenvolver soluções ainda não disponíveis no mercado. Essas parcerias podem envolver pesquisa, desenvolvimento e transferência de conhecimento, observados os requisitos de sigilo, propriedade intelectual e certificação.
A proteção da Amazônia Azul, área marítima brasileira que reúne recursos naturais, rotas comerciais e infraestruturas estratégicas, também demanda tecnologias de monitoramento e comunicação. Essas necessidades abrem oportunidades para a indústria nacional e reforçam a importância da articulação entre o setor produtivo e a Marinha.
Inteligência para conectar demandas e capacidades industriais
No período da manhã, o comandante visitou o Observatório FIESC, conhecendo os avanços das soluções de inteligência desenvolvidas em estreita colaboração com o Condefesa.
A agenda incluiu uma imersão preparada especialmente para a visita, reunindo informações sobre a atuação da Marinha e suas relações com a atividade econômica e industrial.
A apresentação também contemplou análises das compras da Marinha, com detalhamento por unidades contratantes e categorias de produtos e serviços. O objetivo foi demonstrar como a organização e a análise desses dados podem ajudar a identificar oportunidades de fornecimento e orientar a aproximação das empresas com o mercado de defesa.
Outro destaque foi o mapeamento de cadeias produtivas associadas a projetos estratégicos da Força. A partir de uma representação tridimensional de uma planta de propulsão nuclear naval, foram demonstradas possibilidades de detalhamento de sistemas e componentes e de identificação de capacidades produtivas relacionadas em Santa Catarina.
A imersão apresentou o potencial do trabalho conjunto do Observatório e do Condefesa para conectar demandas da defesa às competências industriais do estado. Essa atuação busca apoiar a identificação de potenciais fornecedores, orientar o desenvolvimento de capacidades produtivas e ampliar a participação das empresas catarinenses em projetos estratégicos nacionais.
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação
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